Isto é uma simulação feita pelo Alerta Sul SC para ajudar a entender o risco. Não é mapa oficial, não é previsão e não substitui os avisos da Defesa Civil.
Como funciona
A água sempre corre para o lugar mais baixo. Então, para saber onde alaga primeiro, é preciso saber a altura de cada pedaço de chão da cidade.
Essa informação existe: entre 2010 e 2012 o Governo de Santa Catarina sobrevoou o estado inteiro de avião e mediu a altura do terreno, com um detalhe de 1 metro. Ou seja, há uma medida de altura para cada quadradinho de 1 m por 1 m de chão. É o que os técnicos chamam de "relevo de 1 metro" ou Modelo Digital de Terreno.
O simulador pega essas alturas e faz a conta: quando você sobe a régua do rio, ele mostra aonde a água consegue chegar e que profundidade teria em cada ponto. Para o mapa abrir rápido no celular, juntamos as medidas em quadrados de 10 m.
Calibração
Cotas oficiais do Plano de Contingência de Tubarão: 4,70 m alerta, 5,50 m emergência (o rio sai da calha no Bom Pastor e na Madre), 3,50 m fim do alerta.
Na cheia a água não fica "reta": ela é mais alta rio acima. Usamos uma inclinação de cerca de 0,4 m por km, ajustada para que em 5,50 m a água chegue ao mesmo tempo ao Bom Pastor e à Madre.
Conferência com 22/09/2026: o rio chegou a 4,88 m sem alagar bairros. Na simulação, nesse nível só as várzeas baixas perto da Madre recebem água.
Conferência com 1974: com cerca de 10 m na régua, a simulação cobre quase toda a planície, como aconteceu na maior enchente da cidade.
Limites
É um modelo de "enchimento" por relevo, não um modelo hidráulico completo. Não considera velocidade da água, comportas, bombas, pontes nem entupimento de bueiros.
O relevo é de 2010–2012. Aterros e obras mais recentes não aparecem.
Alagamento por chuva forte (drenagem) acontece antes e em outros pontos, mesmo com o rio baixo.
O mapa cobre Tubarão inteira, Capivari de Baixo e a planície até depois da Madre (20 × 20 km). Só a cheia do Rio Tubarão é calculada: enchentes próprias do Rio Capivari, das lagoas e da maré não entram na conta.
Quanto mais longe da régua (Capivari de Baixo, Congonhas, São Martinho, interior), menos precisa é a estimativa.
Na planície ao sul (Madre, Mato Alto, Jabuticabeira, Congonhas) o relevo oficial tem áreas de arrozal e lagoa marcadas como água e emendas entre faixas do levantamento, com degraus de até 1 m. Ali a mancha e a profundidade são só indicativas.
Não use para decidir evacuação. Siga sempre a Defesa Civil: 199.
Fontes dos dados
Relevo: Modelo Digital de Terreno (MDT) de 1 m do Levantamento Aerofotogramétrico de SC 2010–2012, SDE/SC. Obtido pelo serviço público do SIGSC (camada MDT-2012, SIRGAS 2000 / UTM 22S). Usado aqui reamostrado para 10 m.
Cotas do rio e gatilhos de chuva:Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil de Tubarão. Alerta em 4,70 m, emergência em 5,50 m, desativação em 3,50 m. Chuva: 50 mm/h (alagamentos), 100 mm/dia (deslizamentos), 300 mm acumulados na bacia (inundação).
Régua: estação fluviométrica da ANA 84580500 "Tubarão", na Ponte Orlando Francalacci. Área de drenagem de 2.840 km².
Evento de 22/09/2026: pico de 4,88 m sem alagamentos pelo rio, segundo a Defesa Civil (Folha Regional).
Enchente de 1974: rio subiu cerca de 10 m e mais de 90% da cidade ficou submersa (registros históricos).
Para cada ponto do mapa calculamos o nível da régua a partir do qual a água do rio consegue chegar até ele pelo relevo (algoritmo de preenchimento por prioridade, como o "fill" usado no QGIS).
A superfície da água é inclinada: cerca de 0,38 m por km ao longo do rio, mais alta rio acima (Km 60, Bom Pastor) e mais baixa perto da Madre. Ao se espalhar pela várzea, a água nunca sobe acima do nível de onde veio.
Valas e canais com menos de 50 m de largura não servem de caminho para a água do rio (considera-se que têm comporta ou são controlados).
O nível em que cada bairro "começa" a receber água é o das partes mais baixas (10% do terreno em um raio de 250 m do centro do bairro).